Regulamentação da Profissão de Filósofo

A ideia da regulamentação da profissão de filósofo no Brasil é muito imbecil, porque a atividade de filósofo não corresponde a nenhuma atividade profissional, o sujeito ensinar filosofia pode ser, escrever um livro de filosofia também, mas a filosofia em sim mesmo não corresponde a uma atividade profissional. Como Sócrates seria remunerado? Sócrates nunca escreveu um livro, não deu aula em nenhuma escola, ele simplesmente conversava com as pessoas. Ser filósofo é você ter uma filosofia, ou seja, ter examinado uma série de problemas e ter o que dizer sobre elas, pouco importa se você diz em um círculo de amigos, em uma universidade, em um livro ou em uma igreja. Isso não faz a menor diferença.

 

Dois dos maiores filósofos do século XX foram Georg Simmel e Xavier Zubiri, eles não ensinavam em universidades, davam apenas cursos em casa. Os cursos de Georg Simmel prepararam toda uma geração de professores universitários alemães, sendo que ele mesmo não era professor universitário. Até hoje a maior parte do Zubiri foi publicada depois que ele morreu, dos cursos que ele dava em sua casa.

 

É o que já dizia o filósofo colombiano Nicolás Gómez Dávila: quanto mais alta é uma atividade, mais ridícula é a pretensão de você julgá-la de fora. Só pode julgar se um sujeito é filósofo ou não quem também é filósofo, e as universidades brasileiras nunca produziram um único filósofo. E todos os nossos filósofos, alguns com fama internacional, são pessoas de fora da universidade, como Miguel Reale, e ele nas horas vagas criou o Instituto Brasileiro de Filosofia, que publicou durante mais de 50 anos a Revista Brasileira de Filosofia, que é a única publicação filosófica respeitável no Brasil.

 

Segundo Olavo Carvalho, filósofo brasileiro, “nenhuma pessoa inteligente pode ficar no Brasil” e “ser brasileiro é uma coisa que ninguém deveria fazer”.

 

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