Brasileiros Expatriados
O Alex Castro, que está escrevendo um livro, pediu para responder algumas perguntinhas e quem sabe usar alguma informação interessante em um dos capítulos. Entretanto, não tenho nenhuma história fascinante para contar e por isso não vou poder ajudá-lo muito. Mas, vou aproveitar as perguntas que ele fez, já que muitas pessoas chegam no meu blog, quando se interessam em morar aqui e iniciam suas pesquisas sobre o modo de vida de nós, brasileiros expatriados.
1. Você conhece casos de humilhações e/ou constrangimentos, contínuos ou esporádicos, sofridos por expatriados brasileiros?
Humilhações ou constrangimentos são fatos fortíssimos e isso nunca houvi alguém reclamar por ser imigrante. Isso é mais fácil acontecer com um imigrante que mora no Brasil, e que vira motivo de chacota por causa do seu sotaque e aparência. Os americanos são educados, não chegam nem a dar um apelido a um negro de Branca de Neve, a uma japonesa de Neusa, ou ainda aos descendentes das civilizações Incas/Astecas de Índios, por mais preconceituosos que sejam.
2. Você conhece brasileiros que tiveram empregadas domésticas no exterior? De que modo são (ou não) diferentes das empregadas no Brasil? Houve conflitos ou problemas?
Pelo menos no pequeno grupo de brasileiros que conheço, alguns possuem uma faxineira e não uma empregada. Elas têm a origem de El Salvador, Mexico e Venezuela. Apesar de latinas, são totalmente diferentes das brasileiras. Elas limpam o essencial do essencial, não é uma faxina pesada. Nunca houvi alguém ter nenhum tipo de conflito/problema.
3. Em relação a serviços domésticos em suas próprias casas, você conhece brasileiros(as) no exterior que tiveram que fazer tarefas que nunca faziam, ou teriam feito, no Brasil? Como foi essa adaptação?
Aqui todo mundo precisa colocar a mão na massa, mas nem todas fazem. Entretanto, nunca entrei em uma casa de brasileira que estivesse um verdadeiro caos. É difícil dizer se a adapatação para algumas foi difícil ou não. No meu caso, esta questão nem chegou a passar pela minha cabeça e também nunca dei a desculpa que não tenho tempo para deixar a casa limpa e organizada. Eu sou um das que coloca a mão na massa, já que não suporto que uma agulha esteja fora do lugar, além de ser alérgica a poeira. Tudo ocorre automaticamente então, de acordo com a necessidade. Se limpar privada fosse a coisa mais difícil do mundo, e que eu tivesse que gastar milhões de neurônios para tal, aí sim, acharia o fim do mundo fazer os serviços domésticos.
4. Em relação a serviços remunerados, você conhece brasileiros(as) no exterior que tiveram que realizar trabalhos que nunca tinham, ou teriam, feito no Brasil? Como foi essa adaptação?
Sim, conheço. Eu sou uma delas. Meu hobby no Brasil, virou profissão aqui. É um desafio grande, começar do zero. É um desafio maior ainda olhar pra trás e não sentir muitas saudades da carreira no Brasil. A adaptação não chega batendo na porta suavemente, já que por diferenças culturais, os americanos possuem gostos e formas de trabalhar muito diferentes de nós. Enquanto nós seguimos um caminho de trabalho retilíneo, eles fazem milhões de curvas até chegar no final. As vezes passam a impressão que são inseguros, mas na realidade é este o modo como eles aprenderam a executar tudo o que fazem.
Solange |13 de novembro de 2007 | Link