Dulce, uma
personagem real
Dulce é minha ex-manicure e depiladora. É ex porque ela não para em um
emprego. Sempre recebe uma proposta melhor de trabalho. Ela não sabe o que é
crise e na "cabeça dela", estar desempregado é sinônimo de
"vagabundagem".
Ela é
piauiense e se casou aos 22 anos. Veio com o marido a São Paulo tentar a vida na
cidade grande. O marido, garçon de profissão, não deu muita sorte. Ela que
começou trabalhando escondida do dito cujo, só obteve sucesso.
Um dia,
percebeu que estava indo contra os próprios princípios. Pra ela, homem é que tem
que pagar todas as contas, as básicas e também todos os apetrechos necessários
em um lar. E como isso não estava ocorrendo, pediu o divórcio, já que envolvida
nesta situação, o marido não estava cumprindo o seu papel de
marido.
Mas, qual foi
a causa mesmo do divórcio?
Aos 28 anos já
havia conseguido comprar um sobrado de três dormitórios, um telefone e um
celular. Roupa de marca ela não usa; acredita que a sua bunda e peitos são
enfeites suficientes para sua aparência. Carro também nunca comprou, acha que
homem é que tem que ter carro, pra levá-la pra passear.
Hoje em dia,
no auge dos seus 30 anos, Dulce que ganha R$2000,00, não quer saber de casar.
Diz que homem é tudo "gasolina" e de "vagabundo" já não chega um que passou pela
sua vida.
Mas, todo
mundo quer namorar e casar com ela. Dulce que é contra sexo por sexo, ou seja,
só transa com um namorado, fica na dela selecionando os candidatos. Mesmo
trabalhando 12 horas por dia, de segunda a sábado, ela se diverte com a sua
"lista" e por este fato, não há um dia que seus olhos não brilhem. A última
notícia que eu obtive, foi que ela estava gostando de um vizinho trabalhador.
Trabalhador porque o rapaz é feirante e acorda às 2 horas da madrugada pra
trabalhar. Na cabeça dela, isso é sinônimo de ser macho.
Apesar de
Dulce ter este gênio forte e ser uma mulher que a vida a tornou durona, ela tem
mãos de fada. Fazer a mão e depilação com ela dava até sono...
Clientes
sempre adotam as manicures como psicólogas, entretanto com a gente foi ao
contrário. Era só eu sentar na sua mesinha que ela começava a contar suas
angústias e sonhos. E eu sempre ficava maravilhada com suas histórias, já que
temos caminhos e pensamentos completamente diferentes.
Hoje
lembrei-me de Dulce. Ela que sempre torceu por mim. Se dependesse dela, eu
casaria com um príncipe encantado e me tornaria rainha. Era assim que ela me
via, era assim o seu desejo.
E aquelas
pessoas que me amam, serão meus amores pro resto da vida.