quarta-feira, 6 de maio de 2015

Aleijadinho: O Artista, o Homem e suas Obras

Aleijadinho


O artista


aleijadinhoEscultutor, entalhador, e arquiteto mineiro da arte barroca, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é considerado o maior escultor do Brasil, sua originalidade representa uma revolução na arquitetura das igrejas brasileiras, e seu legado está eternizado até os dias de hoje.

Muitas obras de Aleijadinho resistiram ao tempo, podendo ainda hoje serem analisadas e reveladas suas características, além de um pouco do artista que foi e de sua personalidade, como algumas obras expostas no Museu Aleijadinho em Ouro Preto. A escultura de Jesus crucificado é uma de suas grandes obras, no crucifixo Aleijadinho apresenta um Cristo de cabeça erguida, olhos abertos e com o corpo projetado para a frente, demonstrando força e vigor, diferente das esculturas barrocas da obra.

Aleijadinho retratou também São Francisco de Paula, a estrutura é pequena e possui traços tradicionais de seu trabalho, como olhos amendoados, sobrancelhas bem desenhadas e nariz fino. A cabeça é feita em pedra sabão, com olhos de vidro, e o corpo é de roca.

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Em um pequeno chafariz datado de 1757, e empreitado por seu pai, pode se identificar a marca inicial de Antonio Francisco, a quem não faltaram mestres qualificados. A composição, concebida de forma inovadora abre-se e projeta-se à frente ao mesmo tempo, adquirindo sentido dinâmico apesar de sua estruturação estática fundamental. O inusitado busto de mulher, coroando o chafariz, é também indício da personalidade singular de Antonio Francisco, que tinha então 19 anos de idade.

Outro trabalho a esse período, de 1760 a 1766, é o Oratório de Jacarandá, na sacristia da Igreja de Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto. São varias as imagens avulsas cuja autoria lhe pode atestar.

Em 1766 a sua reputação já se firmara, resultou dessa prova de confiança a sua obra prima arquitetônica, a Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto.

O homem


Antonio Francisco Lisboa nasceu em Ouro Preto, antiga Vila Rica, em 1738, filho de Manoel Francisco Lisboa, carpinteiro, arquiteto, e mestre das obras reais. Segundo Joana, nora do artista, Antonio Francisco era pardo escuro, tinha voz forte, a fala arrebatada e o gênio agastado. Até cerca dos 40 anos teve boa saúde, tanto que cuidava sempre em ter uma mesa farta, e era visto muitas vezes tomando parte nas danças vulgares.

Vila Rica


Nascida da busca do ouro, e vencido o período inicial de implantação, Vila Rica estava então em sua fase de prosperidade e consolidação, mas não apresentava ainda o perfil que tanto lhe deve. A Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antonio Dias, a importante Capela de Rosário dos Pretos no Alto da Cruz, e a Igreja do Pilar, estavam sendo concluídas, e o pau a pique das fachadas de frontão reto contrastavam com a riquíssima talha dourada dos interiores.

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Aquela época estava às vésperas de novo surto artístico, o verdadeiro Renascimento, apesar da clausura imposta pela metrópole, as ideias nascidas no enciclopedismo e o eco das revoluções vararam os mares, os montes e os vales, e encontraram no espaço urbano de Vila Rica, um ambiente propício.

A casa dos governadores dominava a praça saturada de vitalidade em que conviviam poetas e eruditos, bacharéis, músicos, arquitetos, pintores, escultores e mestres de vários ofícios. O palácio e a casa da câmara, hoje museu da Inconfidência, veriam despertar ali a consciência cívica e crescer o anseio de liberdade que Tiradentes havia catalisado. O trágico desfecho político não deteve o surto de renovação artística que o precedera com a Capela do Rosário de Mariana.

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